Wednesday, 3 December 2014

Lia 14 e 15 meses


Dia 28 de novembro Lia completou 15 meses! Com algum atraso, vamos lá registrar como ela esteve em outubro e novembro (com 13 a 14 meses).

Outubro começou com dias MUITO difíceis. Ela ainda estava incomodada com o nascimento dos dentes e a ansiedade da separação estava em um pico terrível. Imagino eu que ainda tenha sido reflexo de ter começado na creche em setembro e a adaptação de passar horas longe de mim. Mas foram umas duas semanas de terror, ela chorava por tudo o dia todo e começou até a acordar no meio da noite algumas vezes. Mas passou.

Falando em dentes, ela continua com apenas 6. Dos quais apenas 4 (os incisivos centrais de cima e debaixo) são visíveis de longe. Os dentes dela realmente crescem beeeem devagar depois que rasgam a gengiva.

A ansiedade da separação melhorou um pouco, mas ela é muito grudada em mim. Eu até fui reler o blog da Bebella e conversando com meu marido e familiares, concluímos que ela realmente é mais agarrada em mim do que a Bebella era com a mesma idade. Se eu não estiver por perto ela fica feliz. Se eu estou perto ela fica mais manhosa e tem que estar fisicamente grudada em mim. Não serve sentada perto. Tem que ser no meu colo ou de preferência agarrada no meu pescoço. Se ela souber que eu estou em casa ou em algum ambiente, não aceita mais ninguém, nem o pai. Eu confesso que acho extremamente exaustivo e fico com pena da Bebella porque tem hora que é impossível dar uma atenção de qualidade com a Lia pendurada e berrando se eu tiver a audácia de coloca-la no chão por uns segundos. Mas vamos que vamos, porque eu sei que é fase e quando passar eu vou sentir falta. Aloka.

Ela começou a fazer aula de natação! Eu nunca vi porque ela vai com o pai, mas ele disse que ela ama. É a única bebê da turma que não odeia água na cara e até mergulha! 

Ela dá beijo, dá tchau, aponta para as coisas que quer. Imita ações do tipo pentear cabelo, colocar roupa e sapato, etc. Passou uns dias com uma verdadeira obsessão de ficar balançando a língua de um lado pro outro e fazendo um barulho muito engraçado. Era o dia todo com a língua de fora balançando.

Ela sabe trocar as coisas de mão quando a estamos vestindo ou colocando casaco. Por exemplo, se ela estiver com um brinquedo ou uma comida na mão, ela dá um braço pra gente vestir, aí eu falo "troca de mãozinha" e ela troca o objeto pra outra mão pra podermos vestir o outro braço. A Bebella também fazia isso e eu acho mega fofo e esperto.

Ela continua AMANDO música. Qualquer música que ela ouça, seja na TV, no carro, algum brinquedo ou a gente cantarolando, ela pára o que estiver fazendo e começa a se sacudir e dançar, toda feliz.

Ela tem umas manias bem engraçadas. A primeira é a mania de se sentar dando as costas para algo. É difícil de explicar, mas ela só se senta dando as costas para alguma parede, sofá ou estante. Mas sem se encostar, não é que ela queira ou precise de suporte pras costas, mas ela parece que não gosta de estar com a retaguarda "desprotegida", hahaha. Se a gente coloca ela sentadinha no meio do playroom ou da sala ela vai arrastando a bundinha até ficar com as costas na estante ou no sofá.

Uma outra mania engraçada é de guardar as coisas. Como todo bebê ela ama esparramar as coisas. Mas ela ama juntar e guardar. Se tem algo espalhado, tipo peças de quebra-cabeça, ela começa a colocar tudo dentro de alguma caixa ou saco. Eu acho uma maravilha na hora de arrumar os brinquedos. É só a gente começar a guardar as coisas que ela vem ajudar. Também ama lencinhos umedecidos, se ela vê o pacote grita até a gente dar um. E sabe o que ela faz? Limpa o chão, as prateleiras, os brinquedos, o que for.  Quando eu vejo que ela e a Bebella têm essas manias de organizar e limpar, eu não sei até que ponto é delas ou é reflexo de ter pai e mãe com TOC que gostam das coisas arrumadas. Mas fazer o que, melhor que elas estejam adaptadas ao ambiente, hahaha.

Ela continua gostando de brincar com bonecas e bonecos (daqueles menores, tipo figurine), livros, telefones (de brinquedo ou de verdade) e controles remotos. Mas a brincadeira preferida é com toda a certeza desenhar. Acho que de tanto ver a irmã desenhando o dia todo ela pegou o mesmo amor. É a coisa mais fofa as duas sentadas ou deitadas de bruços com um papel e uma caixa de giz de cera desenhando por um tempão. E a Lia pega no giz ou caneta ou lápis certinho. Eu fico impressionada com o pencil grip dela. Quando ela rabisca o papel ela olha encantada e mostra pra gente feliz da vida.

Continua obediente de acordo com os limites da idade. Entende "não" super bem. A Lia não é de mexer nas coisas como a Bebella era. Ela gosta de ficar perto da gente e não sai pela casa sozinha abrindo portas e armários, escalando nas coisas, etc. Depois de ter tido a Bebella acho isso um alívio hahaha.

Ainda não anda, mas adquire cada vez mais confiança. Ela sobe a escada sozinha (com a gente atrás pertinho, claro) Em outubro ela começou a soltar as coisas e ficar de pé cada com segurança cada vez mais. Depois começou a dar passinhos sem se segurar. Agora ela dá muitos passos sozinha, às vezes 6, 7 ou mais. Está quase quase andando, mas vamos esperando o ritmo dela. Mãe de segunda viagem torce para demorar a andar porque sabe que quando anda... acabou o sossego de verdade! 

Até outubro o vocabulário dela era formado por "mamã", "bebé", "ága" (água) e "dadá" (daddy). Aí em outubro ela simplesmente parou de falar. Continuava balbuciando e falando em linguagem de bebê, mas não falava mais as palavras com sentido que ela já falava antes. Eu acredito que tenha sido o choque de começar a creche. Ela passou de ficar o dia todo comigo falando Português a maior parte do tempo para um ambiente com inglês o tempo todo. Isso é comum em crianças bilíngues. 

Mas acho que foi só um período de adaptação que o cérebro dela precisou e após umas semanas de silêncio do nada ela voltou a falar. Mas na primeira semana ou 10 dias ela voltou a falar mamã, Bebé e dadá e começou a falar "mamá" (com o "a" berm aberto, diferente de mamà fechado). Mamá era uma palavra que servia para tudo que não fosse eu, a irmã ou o pai. Era muito engraçado, TUDO na vida era mamá pra ela.

Agora ela parou e só fala mamá para bebidas em geral, a chupeta ou quando quer muito algo e não estamos entendendo e ela fica desesperada. Outras palavras que ela fala são "cat" ou "gat" para o gato que mora no nosso quintal e ela tem verdadeira obsessão (vou fazer um post sobre isso), "look" pra mostrar algo pra gente e "papá" pro sapato (papato).

Sunday, 2 November 2014

Piano


Há algumas semanas a Bebella começou a ter aulas de piano. Para mim é uma coisa muito nova. Eu não tive nenhuma formação musical e nunca me interessei. A verdade é que eu não gosto de música. Do tipo que eu não escuto música. No meu telefone não tem nenhuma música (minto, tem umas 3 que a Bebella pede de vez em quando, incluindo Let it Go), não tenho ipod, nada disso. Assim, existem músicas que eu gosto, se tocar em algum lugar eu escuto e curto. Mas eu - ativamente - colocar uma música para ouvir? Muito raro. Nem no carro, porque eu gosto de ouvir rádio com notícias. Quando eu escuto gente falando "não existe vida sem música" para mim é algo super fora da minha personalidade e realidade.

Isso posto, eu sei que o contato com a musicalidade é importante. E talvez por não ter tido quando pequena seja uma das causas da minha falta de interesse com música. Quando meu marido sugeriu colocar a Bebella na aula de algum instrumento eu pensei que poderia ser uma coisa boa.

Perguntamos para ela o que ela gostaria e ela disse piano. Foi um pouco complicado achar um professor, pois a maioria só pega a partir dos 6 anos. Essa professora que achamos é ótima, formada e pós-graduada em música. O lado ruim é que fica em uma cidade vizinha, há uns 20 minutos de carro. Fizemos uma aula experimental (grátis) e a Bebella, apesar de ter ficado muito tímida, adorou. A professora disse que se surpreendeu com ela ter se sentado durante toda a aula e já ter aprendido alguns conceitos. A aula é na casa dela e eu obviamente fico com ela. Mas eu procuro sentar no outro canto da sala e ler alguma coisa para não interferir e tolher a Bebella. 

Após algumas aulas ela já está menos tímida. Está aprendendo várias coisas e já até tocou Twinkle twinkle litle star sozinha!


Assim como foi com o balé e futebol, vamos seguindo o que ela quer e gosta. Sem pressão. Assim como ela odiou o balé e saiu, também fica no futebol e e piano enquanto estiver gostando. E vão ser só essas duas atividades. Mais que isso eu acho que fica pesada, tenho horror de criança com uma agenda mais lotada que adulto. Então ela tem meia hora de piano na terça depois da escola e 45 minutos de futebol no sábado. Está ótimo!

Wednesday, 29 October 2014

Balanço da escola


Chegamos ao primeiro half-term e depois de 8 semanas de escola, eu quero registrar como tem sido para a Bebella.

Para quem não conhece, o ano letivo aqui é dividido em 3 terms (trimestres). Entre os anos letivos tem as férias longas de verão. As datas exatas mudam a cada ano e podem variar levemente de um council para outro, mas o calendário da escola da Bebella esse ano serve de base:

Autumn Term: de 1 de Setembro a 19 de Dezembro, com uma semana de half-term de 27 a 31 de Outubro.
Break de Natal: de 20 de Dezembro a 4 de Janeiro (2 semanas).

Spring Term: de 5 de Janeiro a 37 de Março, com uma semana de half-term de 16 a 20 de Fevereiro.
Break de Páscoa: de 28 de Março a 12 de Abril (2 semanas).

Summer Term: de 13 de Abril a 20 de Julho, com uma semana de haf-term de 25 a 29 de Maio.

Férias de verão de 21 de Julho até 31 de Agosto.

Além de um intervalo de 2 semanas entre os terms, tem também os half-terms no meio de cada um. São os períodos sem aula, "mini-férias". Eu antes não entendia o porquê desse sistema muito bem, mas hoje, depois de ter experiência pessoal de ter uma filha na escola, vejo como é um sistema bem pensado para o bem estar das crianças e dos professores. Só complica para os pais terem que tirar tanto tempo do trabalho, porque se você somar tudo, são 13 semanas no total sem aulas. Mas há várias atividades e clubes pagos para onde se pode mandar as crianças durante o half-term para quem não tem como tirar folga do trabalho ou tenha parentes perto para ajudar.

Mas vamos à adaptação da Bebella. Na priniera semana ela ficou na escola apenas por 2:30 horas. No segundo dia ela chorou, mas logo entrou tranquila. Um dia perguntei para a professora se ela estava sendo tímida e a professora riu e disse "Tímida? Tímida ela NÃO é." Encarei como elogio hahaha.

A Bebella adora a escola, já fez muitos amigos. Adora a professora e a assistente. Gosta da professora de educação física (que é uma mistura de ginástica e dança nesse primeiro ano) e as moças que ajudam no almoço (dinner ladies). Ela me dá um feedback confuso sobre o almoço: tem dias que gosta e come tudo, em outros odeia e come só uma ou outra coisa. Teve um dia que ela disse que não queria ir pra escola porque não gosta do almoço e queria que eu mandasse um packed lunch. Vou observar mais. A mãe de um colega dela me contou que a escola a chamou e disse que o filho não come nada e que era melhor ela mandar almoço de casa. Como a Bebella gosta na maioria absoluta dos dias, vou observando. Até porque preparar um almoço (não é lanche, é almoço!) aumentaria nosso trabalho e o almoço na escola é "grátis" (pago apenas com os nossos impostos).

Uma coisa bem legal da escola é o sistema de buddy. Para cada criança que entra na Reception, eles designam um buddy do Year 4 (mais ou menos 8, 9 anos) para acolher e ajudar a criança. Um dia na semana eles brincam juntos e o buddy mais velho tem meio que a responsabilidade de cuidar do mais novo. Tive tanta sorte porque a Bebella AMA a buddy dela e a menina é um doce. Ela procura a Bebella quando elas têm recreio juntas ou no final da aula. Pergunta como ela está e a Bebella a enche de abraços. Elas mandam desenhos uma pra outra, é uma graça. É bom saber que a Bebella tem esse apoio a mais, alguém que ela gosta e confia que seja outra criança.

Falando em apoio, a comunidade da escola é muito legal. Já fiz amizades com várias mães e pais. Teve o evento de boas vindas, a pamper night pras mães (com massagens, manicure etc). Estou ajudando a organizar um Christmas drinks para as mães de Reception também. Ao longo do ano tem vários outros eventos sociais para os pais.

Nem tudo são flores e nesse primeiro term também rolou um vírus estomacal que derrubou quase metade da escola. Bebella pegou e eu também. Para minha surpresa, a Lia não pegou, graças a Deus.

Semana passada comemoraram o Diwali e eu acho isso super bacana. Na creche a Bebella sempre aprendeu sobre datas e eventos de várias culturas e religiões e isso é muito importante dentro dos valores de tolerância que queremos passar para as nossas filhas. Já conversei com a professora e em Fevereiro vamos comemorar o Carnaval brasileiro!

A diferença entre creche e escola foi bem sentida pela Bebella e ele precisou se adaptar. Ela sentiu a diferença entre ter 1 professora e 1 assistente cuidando de 30 crianças, sendo que na creche eram 5 cuidadoras para 20 crianças no máximo.  Na escola espera-se das crianças uma independência e autonomia ainda maior. A ajuda é mínima para se vestir, guardar suas coisas (na primeira semana a Bebella perdeu o jumper do uniforme porque se esqueceu de pendurar) ou mesmo no almoço. Sem contar que o ambiente escolar é maior, com mais gente e mais regras, desde o uniforme até onde colocar cada coisa, como se dirigir às pessoas etc etc.

Vendo tudo isso, eu fico realmente com pena das crianças que vão para a escola direto sem ter passado por creche ou pre-school, o choque de realidade é ainda maior. Se as crianças que frequentaram pre-school e estavam acostumadas com regras sociais e dividir atenção estranham, imagina as que não estavam. E são coisas que não tem como a mãe passar sozinha para a criança em casa ou tendo um playdate aqui e ali (com a mãe sempre junto). Eu não acredito que crianças devam ir para creche ou escolinha desde bebezinhas, isso é uma escolha que depende da vontade e possibilidade de cada família. Mas se não há a intenção de fazer home-schooling a longo prazo, eu acho que algumas horas de pre-school no ano anterior à entrada na escola de verdade são cruciais.

Academicamente, estamos extremamente satisfeitos com a escola. Como já contei aqui várias vezes fizemos muitas mudanças para conseguir colocar a Bebella nessa escola justamente pela qualidade do ensino. Neste term estão trabalhando muito a escrita (letter formation) e a leitura (phonetics). Teve um workshop para os pais sobre phonetics que foi extremamente útil. Ela já tem muito homework, tanto de leitura quanto de letter formation. Ela já entrou na escola sabendo muito, mas o progresso dela até agora é fantástico. Tivemos a primeira reunião de pais e professores e recebemos muito elogios. Aqui tem uma coisa estranha para mim: eles dividem as crianças em sub-grupos de acordo com o nível. Eu discordo, mas é o sistema aqui e eu até andei pesquisando os argumentos a favor e alguns fazem sentido. A professora nos disse que a Bebella está nos níveis mais avançados, o que nos deixa orgulhosos do trabalho que fizemos em casa desde antes de ela ir pra escola. A única crítica foi que ela se entedia muito rápido e começa a bagunçar. Na verdade não me preocupou em nada porque afinal ela é uma criança de 4 anos. Conversei com umas 6 mães de escolas diferentes e todas receberam essa mesma crítica.

Nas semanas anteriores ao half-term ela estava extremamente cansada. Teve dois dias que ela disse que não queria ir para a escola porque é "muito longo". O fato de que ela passa menos horas na escola do que passava na creche me mostra que realmente a escola com suas regras e demandas é muito mais cansativa mesmo. O horário da escola é de 9 às 3:30. Eu tenho a sorte enorme de ter um trabalho super flexível que me permite trabalhar full-time e ainda assim poder levar e buscar a Bebella quase todos os dias. Só uma vez na semana que eu vou para Londres e meu marido a leva e minha sogra busca. A maior parte dos pais, incluindo meu marido, não têm essa flexibilidade e se não houver avós que queiram/possam olhar as crianças todo santo dia antes e depois da escola, elas têm que ir ou para uma child minder (uma babá que fica com as crianças na casa dela) ou ir para o breakfast e after-school club na escola. Se a Bebella está tão cansada em ficar na escola longe de mim das 9 às 3:30, eu ficaria muito mal de manda-la para lá de 7:30, 8 da manhã até 5 ou 6 da tarde, como grande parte das crianças têm que ir. Minha gratidão pelo meu trabalho é enorme.

Também notamos que nos últimos dias ela estava meio ansiosa. Acho que a pressão de escola, homework etc é grande aos olhos de uma criança de 4 anos. Ela até começou a acordar mais cedo, o que eu sei que é pura ansiedade. Estamos conversando bastante e tendo uma abordagem bem relaxada com tudo, até com a tarefa de casa. Também estamos usando aromaterapia com óleos essenciais para ansiedade.

Esse half-term meu marido tirou férias e está por conta dela. Muitos pais levaram as crianças para viajar ou para parques e zoológicos e mil passeios mirabolantes, mas a gente optou por uma coisa bem low profile. Meu marido até queria leva-la para Gales, mas quando perguntamos ela mesma disse que não queria ir porque era longe e ela está cansada. Queremos o mínimo de agitação e o objetivo é que ela fique mais em casa, brincando, vendo TV, deitada de bobeira... Relaxando mesmo.

O balanço é positivo. Estamos satisfeitos com a escolha da escola e as pequenas dificuldades de adaptação ela teria em qualquer escola. E são pequenas mesmo, acho que eu que tendo a over-analyse tudo hehe. Ela continua uma criança esperta e feliz. E hoje mesmo ela já perguntou quando volta pra escola! :)




Friday, 24 October 2014

Organizando brinquedos - o playroom


Eu sei que é um pequeno luxo termos um playroom, mas é algo bastante comum por aqui. Na nossa casa antiga a gente tinha um playroom em um quarto vazio no andar de cima, mas nunca funcionou bem para o nosso estilo de vida. A gente passava mais tempo no andar debaixo e sempre acabava carregando brinquedo lá pra baixo. Resultado: a sala cheia de brinquedo entulhado, o que me parecia sem razão porque tínhamos um playroom pra isso.

Quando estávamos procurando por uma casa nova, essa era uma das minhas únicas exigências: um playroom no andar debaixo. Quando compramos a casa fizemos um monte de mudanças no layout para criar o playroom, entre outras coisas que achamos que funcionaria melhor. Tinha que ter uma vantagem comprar uma casa que precisava de tanta reforma, né? A planta original tinha a sala de jantar na frente, uma sala enorme no fundo e a cozinha separada. A gente colocou a sala na frente, derrubou a parede separando a cozinha e colocamos uma parede criando o playroom.


Ficou perfeito para o nosso estilo de vida. A gente não tem nenhuma intenção de esconder os brinquedos, afinal é uma casa de família, com criança. É tudo open plan, elas às vezes carregam brinquedo pra sala, pra cozinha e sala de jantar, mas no final do dia quando a gente arruma tudo, ainda conseguimos ter um pouco de espaço pros adultos. Mas durante o dia é ótimo, se eu estou na cozinha eu veja as meninas, está perto do sofá quando a gente quer sentar, perto da mesa para comermos... A gente passa o tempo todo no andar debaixo, só subimos pra tomar banho e dormir.

Essa é a visão da sala.


E a visão do fundo olhando pra sala.


Atrás da porta dupla é a sala de jantar/cozinha.


Sobre a organização dos brinquedos, varia porque eles mudam. Especialmente os da Lia porque ela vai crescendo e mudando o que ela gosta. Elas têm brinquedos demais. Demais mesmo. Mas nós mesmos compramos poucos. Elas ganham MUITA coisa no Natal e aniversários. Tanto que a gente guarda algumas coisas na garagem e abre ao longo do ano. Estou sempre separando coisas para doar e a Bebella ajuda. Ano passado eu coloquei um freio na família do meu marido no Natal. Diminuiu a quantidade de presente, mas não como eu queria. Esse ano eu coloquei um limite ainda mais claro. Além de ser muita tralha, tenho medo de elas não darem valor.

Ali em cima ficam coisas maiores e muito trambolhas. Nas caixas eu junto coisas que fazem parte da mesma brincadeira, tipo loja (comidinhas e caixa registradora), bonecas, Barbies, bonequinhos, Lego e os brinquedos de bebê da Lia. Na maioria dos outros compartimentos ficam brinquedos da Lia e jogos e quebra-cabeça. A gente tem bastante jogos e quebra-cabeça, a Bebella ama e nós também. Na parede fica o growth chart onde eu registro a altura da Bebella (e em breve da Lia) de vez em quando. 


No meio ficam os brinquedos mais trambolhos de todos, antes era o jumperoo e agora essa tenda que a Lia ganhou de aniversário do avô. Do lado da estante eu coloquei alguns ganchos para colocar algumas fantasias. Lá no fundo tem a prateleira onde eu coloco os desenhos mais bacanas e a Bebella fica toda orgulhosa de si. Em cima da cômoda ficam umas caixas organizadoras com bolha de sabão, massinha e brinquedinhos pequenos variados. Nas gavetas ficam apenas os materiais de desenho, pintura, crafts, etc. Isso sim, são coisas pequenas e baratas que eu compro sem culpa: lápis, giz, canetinha, tinta e muitos livrinhos e revistas de atividades. E é realmente o brinquedo preferido da Bebella. E a Lia parece que vai no mesmo caminho de ratinha de papel.


Do outro lado eu coloquei ganchos para mais fantasias e esses dois cestos com bicho de pelúcia. De tempos em tempos eu tenho que tirar alguns pra doar porque é outra coisa que elas ganham muito de presente.


E finalmente no outro canto tem essa estante de livros. Eu ainda não desci os livros de bebê que eram da Bebella e estão no sótão, porque a Lia se diverte com os que tem aí na parte debaixo. Embaixo são os livros interativos, com texturas, pop-up... No meio os livros com estórias individuais e em cima as coletâneas com muitas estorinhas e os busy books. Livro é a única coisa que mesmo que elas ganhem muitos, eu e meu marido compramos sem dó. Graças a Deus livro aqui é muito barato - mesmo os novos. Mas eu não compro novo. Aqui tem as charity shops e eu compro livros usados por centavos. Sério.


Sobre a arrumação, tentamos deixar assim, como nas fotos. Durante o dia elas bagunçam, claro. Mas nunca fica em um estado caótico. A gente tenta ensinar desde beeeem pequenas a arrumar. Esses dias até a Lia guardou todas as peças de un quebra-cabeça na caixa! Criança aprende pelo exemplo. Também tentamos ensinar a só pegar um brinquedo novo quando guardar o anterior. Obviamente não funciona na maioria das vezes hahaha. No final do dia guardamos tudo e pedimos pra Bebella ajudar. Algumas vezes já fui mais firme, do tipo tirar brinquedos que ela deixou esparramado por uma semana. Aos poucos elas aprendem, é um processo longo. Mas guardar no final do dia é regra inviolável para formar o hábito mesmo.


Saturday, 18 October 2014

Lia 13 meses


Lia completou 13 meses no dia 28 de setembro, então vou tentar resumir como foi o mês de setembro para ela e com ela:

Notamos que a fase toddler começa a dar as caras. Começou a ter uns acessos de raiva quando as coisas não vão do jeito que ela quer, por exemplo, se está tentando encaixar um brinquedo e não consegue ela às vezes joga longe, grita e chora. Outro toddler moment é que apesar de comer super bem, tem refeições que ela se recusa a comer. Normal. É da idade começar a ter uns chiliques de vez em quando para comer, tomar raiva de um alimento ou outro, etc.

A Lia entende super bem o significado de não. E na maioria das vezes ela obedece! Se ela tenta ir em algum lugar ou pegar algo que não pode e a gente diz "não", ela na maioria das vezes pára. Algumas vezes ela insiste, mas após ouvir não algumas vezes ela pára. Poucas vezes temos que distrair ou tira-la de perto. 

Eu cada vez mais percebo e confirmo algo da personalidade dela: o ciúme. Acho tão diferente porque é algo que a Bebella realmente não tem. A Lia morre de raiva quando eu pego outras crianças e tem cada vez mais ciúme da Bebella. Em geral o mais velho que tem ciúme do bebê, mas aqui em casa é o contrário. Quando eu abraço a Bebella a Lia fica puta da vida e vem feito doida empurrar a irmã pra fora do meu colo. Dia desses na hora da historinha antes de dormir ela até deu uma "bronca" (em língua de bebê) na Bebella. Foi tão engraçado porque ela fez um tom de voz muito bravo e botou o dedidnho em riste. Ah e aqui em casa ela que tenta tomar brinquedo que a Bebella pega. Mas claro que eu tento trabalhar isso nela, jamais vou evitar abraçar a Bebella, ela tem que aprender. Tadinha da Bebella, tem hora que ela fica chateada e diz "a Lia não gosta de mim", mas a gente explica que ela está aprendendo a dividir.

Após o último salto de desenvolvimento ela entende muito mais as coisas, o mundo ao redor dela e o que falamos pra ela... Ela cada vez mais entende o uso dos objetos e tenta fazer as coisas, tipo colocar sapato, escovar o cabelo, falar ao celular, etc.

Aliás, esse último salto foi tenso porque coincidiu com a chegada de dentes e o começo dela na creche. JESUS!

Falando em dentes, ela demorou um ano pra ter os primeiros dentes, mas após os 2 debaixo rasgarem que os QUATRO de cima resolveram rasgar também. Socorro. Ela sofreu bastante no final do mês. Agora tem 6 micro-dentes. Micro mesmo porque os dentes dela crescem em velocidade tartaruga.

Ela ama livros. Eu acho a coisa mais engraçada do mundo como ela segura certinho, olha as páginas bem concentrada e fica falando sozinha, parece mesmo que ela está lendo. Ela também ama papel: rasgar, amassar, comer... Ama. Também está aprendendo a desenhar ou rabiscar papel. Acho que esse amor todo é porque sempre tem muito papel pela casa, pois a Bebella está o tempo todo com um papel e caneta/giz na mão.

Descobriu amor pelas bonecas estilo meu bebê, sabe? Temos várias aqui, mas ela agarrou amor em uma chamada James - e ela inclusive reconhece se escutar o nome "James". Tem dias que não aceita soltar, temos que levar James onde formos. Ela abraça, coloca no colo, tenta dar mamadeira, colocar chupeta (e também tenta mamar a mamadeira e chupeta de brinquedo ela mesma hahaha). Tem uma obsessão pelos olhos das bonecas, especialmente daqueles que abrem e fecham. Fica um tempão estudando os olhos delas, aí pega nos olhos dela mesma, nos nossos (ouch! Ela enfia o dedo sem dó).

Adora controle remoto, mas acho que todo bebê adora, né?

Adora tirar coisas de um compartimento tipo brinquedos de uma caixa e também jogar tudo de uma superfície no chão, incluindo as almofadas do sofá. Resumindo, adora bagunçar! :)

Notei que ela tem colocado menos as coisas na boca. Ainda coloca, mas menos. Ela também continua com a mania de ficar com a língua pra fora o tempo todo. Tem horas que eu acho que a língua dela é grande demais pra boca hahaha. Ela também pegou mania de ficar balançando a língua de um lado pro outro. NON STOP.

Finalmente começou a engatinhar propriamente mas definitivamente não gosta. Só faz quando não tem jeito mesmo. Ela gosta é de ficar de pé e tentar andar. Anda segurando em tudo pra todo lado, mas ainda não tenta andar sozinha. Mas começou a soltar as mãos por vários segundos.

Uma grande diferença depois desse último salto e depois que ela começou a se locomover cada vez mais por aí é que ela está menos "coleira". Agora ela até pede pra ir pro chão. Isso tornou idas a restaurantes ou irmos ao futebol da Bebella mais complicado, pois ela não aceita mais ficar no colo, carrinho ou cadeira o tempo todo. Mas veja bem, o estado menos "coleira" da Lia ainda é MUITO coleira, rs. Graças a Deus porque eu ainda não estou preparada (síndrome do último filho). A menina ama um colo e eu não me canso de achar isso diferente da Bebella. É muito carinhosa, me abraça o tempo todo e agora aprendeu a me dar beijo (leia-se babar) na minha bochecha.

Ela dorme bem. Menos na creche. Em casa, durante o dia, ela tira duas sonecas grandes. Lá ela ainda não está conseguindo dormir bem como aqui. Tem dias que dorme só meia hora e aí fica muito chata, tadinha. 

Tirando uma exceção aqui e ali, ela come bem. Não recusa quase nada e come quantidades boas. Continua sem comer porcaria nenhuma. No café ela come pão ou toast ou cereal com leite (cereal próprio para bebês, sem açúcar). Lanche é sempre fruta, iogurte (natural que eu misturo com fruta batida), passas, toast ou biscoitos próprios para bebês. Jantar é comida normal, mas com pouquíssimo sal e nada de fritura. Ela não come doce, bolacha, bolo, chocolate, bala (!), danoninho, sorvete, nada disso. Não precisa e ela não sente falta do que não conhece. Assim como foi com a Bebella, enquanto eu puder evitar eu evito. Tanto que a Bebella cuspia chocolate até mais de 2 anos. Ah, ela bebe água e leite. Muito de vez em quando ela toma um pouco de suco natural junto com as refeições.

Ela toma uns 180 mls de leite antes de dormir e 180 quando acorda. Leite de vaca mesmo, mas sem lactose. O leite de vaca normal estava fazendo ela vomitar. Obviamente não é alergia, mas como eu tenho intolerância à lactose, pode ser que ela tenha. Não fiz nenhum teste laboratorial, só de observação mesmo. Comigo é a mesma coisa. Embora eu não beba leite, quando exagero nos derivados, passo mal. Ela fica ok com poucas quantidades ou derivados. Mas toda vez que bebeu os 180 mls do leite normal ela vomitou. Passamos para o leite sem lactose e ela nunca mais vomitou. Graças a Deus essas coisas por aqui são muito fáceis de achar. Tem esse leite de vaca que eles adicionam lactase, o que elimina quase toda a lactose. Custa 20 centavos mais caro que o leite normal, então é tranquilíssimo.

Com a introdução de um outro leite, nesse mês também aconteceu o desmame em um processo muito natural e tranquilo que vale um post separado. 


Tuesday, 7 October 2014

Loom bands


Eu vivo em Marte e nunca tinha ouvido falar de loom bands (ou rainbow looms). Mas na festa de boas-vindas da escola da Bebella tinha e ela se aventurou a fazer. E eu também.

São umas argolinhas de borracha que podem ser trançadas usando os dedos, moldes ou agulhas de crochê, formando pulseiras. Isso no nível básico porque uma rápida busca na net mostra que dá pra fazer roupas, brinquedos, um monte de coisa. A febre é mais comum na idade tween, mais ou menos de 8 a 11 anos.

No começo eu fiquei reticente porque eu achei que a Bebella era prquena demais e ficaria frustrada se não conseguisse. E também achei meio que besteira. Mas na festa ela se sentou com as crianças maiores e toda concentrada aprendeu mesmo. Claro que até agora só o tipo mais simples, usando os dedos, mas ela adorou.

Depois da minha reticência inicial eu observei e comecei a pensar nos benefícios por trás dessa brincadeira inocente. Dei uma pesquisada e descobri estes benefícios:

1) Concentração: em uma era de tv e video-games, onde estudos mostram que a capacidade de concentração das crianças cai cada vez mais, qualquer atividade que trabalhe o poder de concentração é bem vinda.

2) Persistência e paciência: super importante para todas as áreas da vida. Achei particularmente legal porque paciência não é o forte de crianças de 4 anos.


3) Coordenação motora fina, especialmente o movimento pinça. Eu tentei e as borrachinhas sã pequenas e escorregadias. Fazer as pulseiras trabalha destreza dos dedos, firmeza da mão e coordenação mão-mão e mão-olho. São habilidades super importantes para a idade da Bebella, pois ajudam nos pre-writing e writing skills.

4) Seguir instruções: outra habilidade importante para várias áreas da vida e essenciais para crianças de 4 anos.

5) Criatividade: dispensa comentários. 

6) Capacidade de visualização: conseguir visualizar algo antes de acontecer de fato (especialmente 3D) é super importante para a área da matemática no futuro. Um exemplo, quando está fazendo uma pulseira, a Bebella tem que visualizar se o tamanho já dá pra dar a volta no pulso.


7) Reconhecimento de formas e padrões:  outras habilidades pré-matemáticas, ligadas a seriação, sequenciamento e solução de problemas. Também contribuem para a capacidade de critical thinking (análise crítica).

8) Auto-estima: a satisfação de fazer algo desafiador sozinha é extremamente benéfica para a criança. Ajuda muito se os pais incentivarem, elogiarem e usarem as pulseiras (mesmo que elas não sejam lá muito bonitas).


9) Socialização: como a coisa é uma febre, muitas crianças se reúnem para fazerem juntas. Na festa onde a Bebella aprendeu foi super bacana ver que as crianças ensinaram uma pra outra, sem a intervenção dos adultos.

O melhor é que é um brinquedo super barato. Já comprei uma caixa pra Bebella e ela está adorando!


Friday, 3 October 2014

Good kid


Eu leio muito negativismo e reclamação na blogosfera materna. Não é o meu viés. Eu tenho o blog para registrar as memórias da minha família e para meus entes queridos que moram longe acompanhar. Minha vida e minhas filhas não são perfeitas, eu apenas escolho registrar o lado bom.

Assim sendo, esses dias vi essa imagem no facebook e me fez pensar. A gente se preocupa tanto em criar uma "boa criança", mas não podemos nos esquecer que já temos uma.


Então resolvi registrar umas coisa bonitinhas que a Bebella fez nos últimos dias. Because she is such a good child!

Ela ficou doente e vomitou horrores (aliás a escola toda pegou, metade da sala dela não foi à aula quinta e sexta passadas). Aí na sexta eu peguei. Ela muito fofa foi lá e colocou na minha cama um ursinho dela pra eu "snuggle up and feel better, mommy". A generosidade de uma criança de 4 anos é fantástica.


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O tempo todo ela desenha cartões para as pessoas que ela ama: família, amigos, todo mundo ganha desenhos, corações, beijos e declarações de amor. Essa cartinha ela fez para a família toda porque segunda ela "we are family and we share".


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Aliás, ela é muito carinhosa. Até demais para os padrões daqui, onde as pessoas são realmente mais "frias" no sentido físico da coisa. Elas amam e se importam do mesmo jeito, mas são menos de abraçar, beijar etc. Mas o meu marido é uma exceção e nós dois somos muito carinhosos com as meninas. E a Bebella é assim. Só essa semana houve dois episódios. Ela tem uma buddy no 4 ano (a escola tem esse sistema) e ela AMA essa menina. Quarta a encontramos no parque depois da escola e a Bebella toda hora ia lá abraçar a menina. A guria ficava dura, olhando pra mãe hahaha. Até que ela mesma não resistiu e abraçou de volta. Ela sempre abraça as amigas e a maioria fica assim, dura, sem graça. Realmente não é da cultura daqui. Hoje na saída a Bebella queria dar um abraço de tchau em uma colega e teve que literalmente perseguir a menina pelo pátio, rs.

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Quase todas as meninas da escola usam saia ou vestido (só vejo algumas meninas mais velhas de calça). Hoje a Bebella quis ir de calça e na volta ela me disse que todos os coleguinhas perguntaram por que ela estava de calça, porque "era pra menino". Ela me disse, com o tom de que é a coisa mais natural do mundo (e é), que ela simplesmente respondeu que "não existe isso, calças estão aí para os meninos e meninas que quiserem usar". Muito orgulho de que ela está aprendendo a ser uma pessoa de mente aberta, sem preconceitos e sexismos.